segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Fé, Esperança e Caridade!

A Fé, descobri há alguns anos, quando menos esperava encontrá-la, apareceu! Fez-me pôr de parte alguns livros, começar a ler outros, modificou-me o pensamento, levou-me a procurar a religião, à qual não dava tanta importância.
A Esperança, veio com a Fé. Uma certeza num final feliz, a alegria de reconhecer o caminho colocado à minha frente.
A Caridade cresceu a par com as outras duas. Tornou-se num gesto preciso e ansiado. Sempre fui sensível ao sofrimento dos outros, desde pequena, lembro-me de alguns episódios tristes que me marcaram profundamente. Sempre fui daquelas que sentia um aperto ao ver um sem-abrigo, um "clichê" que sempre tentei esconder, fingindo-me insensível à visão de alguém que dorme na rua ao frio, abandonando-se à indiferença alheia, como se de mobiliário urbano se tratasse.
Agora que já tenho idade suficiente para me aceitar plenamente, não vou mais fingir que sou egoísta e impenetrável, vou deixar-me de convicções anti-naturais, vou aceitar que, tal como Cristo, não tenho mais nenhum objectivo na vida senão servir. A condição de mulher, já propicia a isso, agora é só abraçar a verdadeira missão de um cristão, que nos habituámos a esquecer!
Pronto, já o disse.

domingo, 17 de outubro de 2010

A Pobreza não tem lugar!

A pobreza não tem lugar no meio de nós. Não vive no nosso prédio, não é nossa vizinha. É estranha e não faz parte da nossa realidade. Nós que temos muito, temos demais, somos gordos de corpo e alma, deitamos brinquedos para o lixo, desdenhamos roupas usadas e vivemos para o materialismo. Trabalhamos para ter dinheiro, para comprar tralhas que não precisamos, mas que morremos se não guardarmos em gavetas e armários. Comemos muito, demais, sem fome.
Hoje uma criança de oito anos disse-me que não tinha tomado pequeno-almoço, "Não comi nem bebi nada, a minha mãe tem sempre muito sono e não se quis levantar pra me dar de comer". Tive vontade de lhe pegar, apertar com força e chorar sem ninguém ver. Um nó forte apertou-me o estômago perante a pior das pobrezas, a de mentalidade. Nunca uma criança deveria viver com o desprezo e o desleixo de uma mãe. Nem todas têm um adulto que lhes dá o amor verdadeiro: comida, afecto, cuidados e esperança.
Tenho a minha gata ao colo, enquanto escrevo este pequeno desabafo. Até ela teve melhor sorte, neste desígnio tão inexplicável de quem terá e quem sofrerá para ter. Também ela me morde os botões da camisola, na esperança de que lhe dê uma festa e alguma atenção.
Pouco tempo separa a inocência daquela criança e os seus olhos brilhantes, da idade da revolta, do tempo em que ela quererá gritar a sua revolta pela má sorte destinada. Teremos mais um desencantado pela vida, mais um adulto magoado com a infância retalhada. Vou ficar com este aperto aqui durante muito tempo.
A pobreza não tem lugar, não aqui, tão perto de mim.

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Fotos famosas


Esta foto é uma das famosas lá de casa. Tem tudo o que é necessário para ganhar o destaque de uma moldura, crianças bonitas, cores fortes, expressões significativas, enquadramento, significado para quem a vê no móvel! Já tem alguns anitos, é de 2005, e traz-me lembranças e sensações tão bonitas que podia ficar a olhar para ela o dia inteiro, com um sorriso idiota na cara, daqueles que só as mães conseguem fazer, vá-se lá saber porquê! Nunca ninguém vai conseguir explicar qual é o botão que se liga no momento em que ficamos mãe de alguém. O botão da lamechice, poderíamos chamá-lo assim, aquele que nos faz ficar irracionais tantas vezes, nos leva à loucura e ao êxtase mais rapidamente que um foguetão! Botão esse que, dizem os avós, é rodado até à sensibilidade máxima assim que temos netos. Tenho medo por mim no que me vou tornar, se algum dia for avó! Vou ser um clichê ambulante, de mimos e disparates. Senhor, dai-me forças para me conseguir aturar quando lá chegar! :)