segunda-feira, 29 de maio de 2017

3ª Tertúlia "Lousã Book Lovers"


Nunca tinha lido a obra "Meu Pé de Laranja Lima". Como a maioria de nós, já ouvira falar, mas felizmente ainda não tinha visto o filme brasileiro. (Se há coisa que estraga a leitura é já sabermos a história.) Pessoalmente adorei o livro, muito simples, despretensioso, honesto e essencialmente humano, tanto no melhor e pior que isso possa significar. Uma leitura em "brasileiro", totalmente lida com sotaque, e também por isso mesmo, mais emocional. (várias lágrimas...) Quem resiste a uma criança de cinco anos, traquina, que no meio de uma pobreza que não conseguimos imaginar, consegue inventar amigos, cenários de brincadeira, e ainda ter espaço para a "ternura"? Queremos consolá-lo, dar-lhe um presente no Natal, comprar-lhe uns sapatos, uma roupa de poeta, e protegê-lo dos dramas familiares que se vivem numa casa com necessidades financeiras, emocionais e abandonada ao desespero. Um português representa o herói na história, e também isso nos toca, e nos deixa ligeiramente felizes e orgulhosos enquanto povo. Essencialmente somos transportados para uma dimensão quente, poeirenta, de gente esfomeada e triste, onde vive um menino chamado Zezé, e o nosso coração aperta.
José Mauro de Vasconcelos colocou na sua escrita muita da sua vivência pessoal, experiências de infância, e construiu uma obra magnífica, chamando a atenção para a pior das pobrezas, a falta de ternura. Conseguimos todos crescer com relativamente pouco comer, a maioria da população do planeta não começa o dia com cereais coloridos e doces, mas não crescemos saudáveis sem amor. Amar faz falta, a ternura nas famílias faz falta, mesmo quando tudo parece não ter solução, sem ternura fica com certeza mais difícil. 


sexta-feira, 19 de maio de 2017

"Bem Vindos ao Circo!"



Hoje de manhã, ao deixar o meu filho mais novo na creche, tive uma visão muito triste. E digo triste, porque sofro bastante com os problemas alheios, e nada de bom se avizinha para algumas mães desta época. Sempre observei com alguma crítica aqueles pais que fazem malabarismo matinal, todos os dias, quando precisam de deixar os filhos na escola, e que não conseguem resolver as questões de separação com naturalidade, como seria de esperar - afinal nós voltamos ao final do dia, e eles nem vão notar a nossa ausência. Mas hoje, pela primeira vez, fiquei perplexa ao ver uma mãe em pleno desfile de variedades, que do caminho do carro à porta da creche, carregada de balão, brinquedos pessoais e mochila, tentava convencer a menina de metro e pouco a entrar na porta... Mas o que é isto? Estive quase a perguntar à senhora. Já viu a figura que está a fazer? Também me surgiu na cabeça. Que macacadas vai fazer à criança quando ela for para a escola primária? Perguntei a mim mesma, estupefacta. Sim, porque dificilmente esta senhora conseguirá inventar distrações e subornos materiais durante vários anos seguidos, e eles, é preciso que alguém a avise, costumam ficar mais exigentes com a idade. O medo de traumatizar os filhos ao obrigá-los a fazer algo que eles não querem, domina completamente estas pessoas, e isso é preocupante. Não sei se é coincidência ou não, mas todos os meus filhos sempre adoraram a escola, foram voluntariamente dos meus braços para os braços das professoras, auxiliares e funcionárias em geral. Nunca tive uma birra ou choro matinal, e acho que não era por estarem aliviados a fugir de mim (espero). Tenho a convicção de que a minha atitude firme e natural, que nunca transpareceu ansiedade (mesmo que nos primeiros dias em que deixei um bebé de 4 meses na creche chorasse sozinha no carro), os deixasse calmos e seguros do que estava a acontecer, e com o tempo, simplesmente gostassem de estar na escola, de brincar, de conviver com os seus pares. Há crianças mais difíceis que outras, isso é certo, mas fazer a roda e o pino enquanto fazemos malabarismos com bolas coloridas, só para que a menina de 3 anos aceite que tem de ficar na escola, não é para mim. "Desculpem lá meus filhos, mas a mamã tem pouco jeito para ser palhaça. Às 18h00 venho buscar-vos, beijinho, até logo, e não mordam os colegas!"

(imagem, internet)

quarta-feira, 10 de maio de 2017

Salvador da Pátria!



Há alguns anos que não perdia tempo a ver o Festival da Eurovisão... Ontem lá estive a ver aquelas pessoas estranhas, que pelos vistos quiseram homenagear os Ingleses, que estão de partida, e cantaram todos(alguns emitiram sons) na língua "mãe" da antiga UE. Quando o nosso concorrente se apresentou, em português, houve claramente um misto de espanto e deslumbramento, o rapaz não vestiu lantejoulas nem fatos brilhantes, não quis dançarinas para distrair o público e teve alguns momentos que dificilmente conseguimos classificar, eu pelo menos não entendo aqueles saltinhos e caretas. Mas cantou, e como acontece quando a música é boa e a voz afinada, ninguém se importou com a excentricidade da figura. Até me parece que algumas pessoas do público estariam a pensar com carinho: "coitadinho, canta tão bem para tontinho"... Independentemente da polémica (hoje tudo serve para debater), o rapaz portou-se bem, esteve genuíno, como se tem apresentado, e conseguiu levar Portugal à final, só por isso, Parabéns! Agora os senhores portugueses que estão lá fora, façam o favor de gastar 0,60€ mais IVA e no sábado votar no nosso concorrente!!






terça-feira, 2 de maio de 2017

Solução para a preguiça laboral... não fazer fretes



"Faz o que gostas, e nunca trabalharás um dia na vida"... é qualquer coisa assim, parecido com isto, e estou com preguiça de ir pesquisar a frase correta... 
Deviam ter-me dito isto há 20 anos atrás, quando ainda havia esperança para dar um rumo profissional à minha vida. Como não havia internet, nem telemóveis, nem nada a não ser televisão com 4 canais, pagers, telefone fixo e tamagoshis, ficámos todos mal informados de como seria o nosso futuro. Agora olha, como infelizmente temos que trabalhar, nada feito; e em vez de andarmos felizes e entusiasmados com projetos excitantes, temos de remeter todas as nossas capacidades extra para atividades lúdicas de quando temos tempo livre. Como já estou a soar a mal agradecida, tenho de fazer um reparo neste meu desabafo inspirado no 1º de Maio, o dia do Trabalhador, pois há empregos que me deprimiriam instantaneamente, e o meu até tem vantagens. Só não ter de aturar chefes idiotas com problemas de auto-estima e rasgos de despotismo... é uma bênção! Mas se um dia pudesse acordar de manhã e escolher uma profissão, pediria ao génio da lâmpada que me levasse até ao Teatro S. Carlos, para ir aquecer a voz antes do concerto e nos outros dias da semana apenas precisaria de um PC com o word instalado. Nada de mais, simples e banal, mas que me faria muito feliz!