quinta-feira, 15 de março de 2018

Ainda a Mulher...








Quem tem filhas adolescentes hoje em dia sabe o que são tutoriais de maquilhagem. Para quem não está familiarizado com o tema, são vídeos no youtube de raparigas/mulheres que se dedicam à explicação pormenorizada de como fazer uma determinada maquilhagem, utilizando a própria cara como modelo. Teoricamente até parece interessante, nem todas as mulheres sabem como fazê-lo, e no meu caso específico, sou uma autêntica atrasada mental no que toca a produtos de beleza. Fico a olhar para as prateleiras dos hiper-mercados, como se olhasse equações de matemática avançada. Nunca me interessou esse tipo de coisas, e durante muitos anos não precisei. Nem preciso, para falar a verdade. Aborrece-me a ideia de estar à procura da maquilhagem, o tempo que se perde nisso, e o pior de tudo, o facto de ser difícil retirar toda aquela pintura da cara para ir dormir. Sou demasiado prática para conseguir incluir este ritual cansativo no meu dia a dia. 
Voltando aos tutoriais, quem já os viu percebe que a maioria das protagonistas são feias nos primeiros minutos de vídeo, e que só depois de uma boa meia hora a fazer jogos de sombras e pinceladas é que ficam minimamente decentes, mas não um decente natural, um decente plástico e assustador. Perguntei à minha filha que assistia um desses vídeos como é que elas se podem assoar, depois de terminada a pintura... não obtive resposta, porque não há! A maquilhagem não foi feita para pessoas humanas, que têm mucos e lágrimas. Foram inventadas para "embelezar" meninas/mulheres que, sendo feias, ou naturalmente falíveis e borbulhentas, se tornam nuns robots, e tudo isso para agradar a sociedade... 
Sou daquelas mulheres que entende o feminismo de forma mais prática. Fazer o buço, uma depilaçãozita aqui,outra ali, sim, tudo bem. Passar horas a delinear riscos e sombras, carregar a cara de bases e tintas... não. Ninguém merece o esforço, muito menos a sociedade! 

quinta-feira, 8 de março de 2018

8 de março



É sempre uma data importante, o Dia da Mulher, por vários motivos. Uns odeiam estes dias especiais dedicados a um tema, outros adoram, outros fartam-se de lucrar com os mesmos. O que é certo é que mesmo controverso, todos falamos sobre ele. Não há mulher que não aproveite este dia para refletir sobre a sua condição, o seu "fado". Todos os anos sinto algo diferente a 8 de Março. Umas vezes apetece-me vomitar em todas as frases feitas e elogios à mulher, outras vezes quero aplaudir heroínas que tornam o facto de ser mulher prestigiante. Não se iludam, ser mulher é tramado. Desde pequenas que vivemos com a sombra da responsabilidade, da dor, da menstruação iminente, e quando crescemos não melhora! Se queremos família temos que nos sujeitar, passar por experiências dolorosas, por emoções devastadoras, por anos sem sono profundo... Quanto mais crescemos, mais aumenta a nossa responsabilidade, somos o mundo dos filhos, as psicólogas da família, o farnel dessa gente toda, a enfermeira de plantão ao serviço de urgência. Somos tudo e mais que possamos imaginar. Mas estranhamente adoramos esta vida de clausura e recolhimento, de entrega ao próximo, e se conseguirmos não desanimar nos períodos mais difíceis, crescemos interiormente de uma tal maneira, que já nem nos lembramos de como poderíamos alguma vez voltar a não ter cobranças ou exigências, sacrifícios e sono.
É uma aparente tragédia, um cenário de tortura, a que cada vez mais as mulheres fogem. Mas só foge quem não deu atenção às aulas de Português! Já dizia o poeta "Quem quer passar além do Bojador, Tem que passar além da dor! Deus ao mar o perigo e o abismo deu, Mas nele é que espelhou o céu."
E com estas palavras animadoras mando a minha amizade para todas as mulheres que se sentem pouco felizes nestas datas. Alegrem-se, os homens têm de fazer a barba todos os dias.... e.... pronto, é isso, mas não deixa de ser chato!