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Ainda a Mulher...

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Quem tem filhas adolescentes hoje em dia sabe o que são tutoriais de maquilhagem. Para quem não está familiarizado com o tema, são vídeos no youtube de raparigas/mulheres que se dedicam à explicação pormenorizada de como fazer uma determinada maquilhagem, utilizando a própria cara como modelo. Teoricamente até parece interessante, nem todas as mulheres sabem como fazê-lo, e no meu caso específico, sou uma autêntica atrasada mental no que toca a produtos de beleza. Fico a olhar para as prateleiras dos hiper-mercados, como se olhasse equações de matemática avançada. Nunca me interessou esse tipo de coisas, e durante muitos anos não precisei. Nem preciso, para falar a verdade. Aborrece-me a ideia de estar à procura da maquilhagem, o tempo que se perde nisso, e o pior de tudo, o facto de ser difícil retirar toda aquela pintura da cara para ir dormir. Sou demasiado prática para conseguir incluir este ritual cansativo no meu dia a dia.  Voltando aos tutoriais, quem já os v...

8 de março

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É sempre uma data importante, o Dia da Mulher, por vários motivos. Uns odeiam estes dias especiais dedicados a um tema, outros adoram, outros fartam-se de lucrar com os mesmos. O que é certo é que mesmo controverso, todos falamos sobre ele. Não há mulher que não aproveite este dia para refletir sobre a sua condição, o seu "fado". Todos os anos sinto algo diferente a 8 de Março. Umas vezes apetece-me vomitar em todas as frases feitas e elogios à mulher, outras vezes quero aplaudir heroínas que tornam o facto de ser mulher prestigiante. Não se iludam, ser mulher é tramado. Desde pequenas que vivemos com a sombra da responsabilidade, da dor, da menstruação iminente, e quando crescemos não melhora! Se queremos família temos que nos sujeitar, passar por experiências dolorosas, por emoções devastadoras, por anos sem sono profundo... Quanto mais crescemos, mais aumenta a nossa responsabilidade, somos o mundo dos filhos, as psicólogas da família, o farnel dessa gente toda, a enf...

8ª Tertúlia Literária "Mataram a cotovia"

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A obra de Harper Lee é bastante conhecida nos Estados Unidos da América, é um livro que faz parte do currículo escolar dos adolescentes americanos, e deveria ser leitura obrigatória de muitos mais. Uma viagem ao Alabama dos anos 30, à pobreza, ao racismo, às mentes tacanhas e preconceituosas, pelo pensamento de uma menina de 6 anos, branca, filha de um advogado. A leveza do discurso infantil (imaginado por uma adulta), a inocência dos olhos de crianças perante a vida daquela época, as dúvidas éticas e morais face ao comportamento dos adultos brancos que simbolizavam a autoridade para os mais novos. Tudo isto num livro de fácil leitura, que nos leva pelo mundo do racismo, nos faz rir, nos aperta o estômago, até à última página. Não terminamos a obra sem imaginar como seria difícil a vida dos escravos, um inferno de trabalho e sofrimento, carregando filhos, cestas de algodão, enxadas, e injustiças, sempre calados e sem opção. Questionamo-nos como seria que a maioria de nós viver...

O Antes e o Depois

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Não podemos ser hipócritas ao ponto de desprezar as maravilhas da internet, a evolução drástica que trouxe ao nosso dia a dia, a facilidade com que hoje fazemos certas tarefas. É muito bom ter amigos, família, contas domésticas, bancos, receitas da farmácia, datas das consultas, agendas com avisos sonoros, etc, etc, tudo no bolso, guardado no pequeno dispositivo com que às vezes falamos ao telefone. Não é bom, é ótimo! E quem disser o contrário, é porque é masoquista, ou não tem um androide e nunca percebeu como pode ter a vida no bolso. Mas não raras vezes, quando nos sentamos à mesa e cada um dos presentes pega no "seu mundo", olho em volta e penso como tenho saudades de ser primitiva. A alegria que era receber um postal, a aventura de namorar ao telefone com pessoas por perto, o perigo de corarmos e alguém perceber a conversa, como era libertador sair da escola e andar em silêncio sozinha nos transportes, ver a paisagem, observar os outros passageiros, olhar para a fr...

Vende-se apartamento em local péssimo!

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Sempre vivi em prédios, uns maiores que outros, com todas as suas vantagens e desvantagens... Conheci múltiplas personalidades e feitios, uma doida pelas limpezas, outra que aterrorizava as redondezas com uma bengala e cuspia ódio, homens calados e metidos consigo mesmos, crianças adoráveis, outras nem tanto, enfim... Nunca tive problemas com ninguém, mesmo quando a vontade que temos é de bater com o cabo da vassoura no tecto, nunca o fiz. Tento não valorizar certas coisas, ignorar alguns exageros, já que dias não são dias, mas às vezes é difícil! É difícil compreender porque cozinham às 23h00, riem de boca toda aberta até à 1h00 da manhã, porque deixam um cãozinho a ladrar horas consecutivas do lado de fora de casa, porque compraram um papagaio se não o suportam dentro de casa, porque insistem em reservar lugares de estacionamento dias inteiros para que os familiares possam arrumar os carros confortavelmente... Não sei se é da idade, da falta de sono, da impaciência em geral, mas...

Vamos lá deixar de tremer quando o assunto é este!

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Dois homens são filmados a espancar um outro, já caído em estado letárgico, sem reação. Pessoas gritam das janelas, umas mais perturbadas que outras, perante o espetáculo ao vivo. Tudo começou aparentemente dentro do MacDonalds, à hora de abertura, dois rapazes de etnia cigana começam a implicar com um funcionário de 57 anos. Dão-lhe uns "cascudos", conforme relata o mesmo, e há agitação entre os funcionários. Entra um casal para tomar o pequeno almoço e depara-se com a cena, o rapaz decide acudir o homem, e pronto. É levado para a rua, onde o espancam violentamente, na maior das calmas. A namorada da vítima ainda leva umas chapadas, mas concentram toda a atenção no rapaz de 24 anos que fica inconsciente no chão. Estive a tentar não ver o vídeo, mas cedi à curiosidade e arrependi-me logo. Não tenho estômago para estas imagens, sejam elas reais, ou em filmes. É para a maioria das pessoas inconcebível este tipo de agressões, esta frieza que aparece em certos homens, que ...

Divas e Poetisas

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Na última tertúlia literária do grupo "Lousã Book Lovers" conhecemos uma autora portuguesa contemporânea que nos deliciou com os seus poemas excêntricos, a sua simplicidade quase infantil e por vezes psicótica, de miscelânias incompreensíveis. Rimos muito a ler passagens do livro "Amanhã" de Adília Lopes. Não conhecia a senhora, mas fiquei fã, com a mesma admiração que sinto pela nossa Natália de Andrade, a Diva portuguesa do canto lírico do final do século passado. Há nelas  a mesma genuína honestidade, que nos desarma, mesmo que provocando arrepios de dor e gargalhadas sufocadas. Ao ouvir Verdi pela boca de Natália ficamos extasiados e com pena da pobre senhora, tão orgulhosa das suas notas altas. Apetece-nos tirá-la do palco para a poupar à vergonha, mas não conseguimos deixar de ouvir, e no final, aplaudimos entusiasticamente. O mesmo se passa no livro da Adília, é viciante! Excertos de Adília Lopes: