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Smelly cat

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Ontem fumava o meu cigarro da noite, depois da casa acalmar e a rua estar vazia e silenciosa quando vi mais do que queria. Sentei-me na cadeira da varanda, a aproveitar a calma e sossego, quando fui testemunha de um crime. Sem querer, fui a única pessoa a ver um rapto felino. Não conseguiria dar uma descrição útil para as autoridades, vejo mal ao longe, mas consigo dizer sem grande dificuldade que o criminoso era uma mulher, nova, que andava de fato de treino e cabelo preso a vaguear na rua sem qualquer justificação. Não andava a correr, nem a caminhar, apenas apareceu do nada, chegou-se sorrateiramente perto do gato que comia qualquer coisa do chão e agarrou-o. O bichano não era dela, é um animal com bom aspeto que por vezes aparece nas escadas do meu prédio, sem coleira, mas domesticado, sem medo de humanos. Normalmente sai para a rua e vai à sua vida, sem dar satisfações a ninguém, independente e claramente bem alimentado por alguém. Ontem acabou-se-lhe a boa vida, coitado, f...

A Rua Nossa Senhora da Ajuda!

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Lembro-me que quando saiu este filme pensei algum tempo no desconforto que deveria ser para o casal realizador/atriz principal a filmagen de certas cenas. O marido a dizer à mulher "faz assim e faz assado", com o Leonardo di Caprio como colega, o que só por si deixaria qualquer um reticente. Cheguei à conclusão de que deveriam ser pessoas muito profissionais, com capacidades quase robóticas de conseguir colocar as emoções pessoais e íntimas de lado e viver só as emoções fingidas necessárias às personagens. Tive a minha percentagem de dúvida, mas aceitei a estatística e o facto de que a Kate é mesmo uma excelente atriz. Ontem vi pela primeira vez o filme, e no final saiu-me um "Ah... pronto, afinal tinha razão!".... Ela não teve grande dificuldade em viver o personagem e manter-se casada, porque o marido inventou um raio de uma história macabra e doentia que punha qualquer hipotético casal perfeito na merda. É tudo doido, cínico, mentiroso, disfuncional, mas bo...

Dia dos Avós

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Não fazia ideia de que hoje era dia dos avós... aliás, como muitos dias de qualquer coisa, só nos apercebemos deles no facebook ou no messenger. Não coloquei nenhuma imagem fofinha na minha página pessoal do FB, porque não tenho nenhuma foto com todos os meus avós, dois deles já não estão cá, e seria tremendamente injusto dizer que gosto mais de uns que de outros. Injusto e falso, porque na verdade, como em outras relações familiares, não tenho preferidos. Se me perguntarem de quem gosto mais, pai ou mãe, qual dos filhos, que avô, que irmão, não posso responder com honestidade, porque não sei. Todos são diferentes, como os meus 4 avós, uns estiveram mais presentes, outros deram efetivamente mais presentes, mas uma coisa foi sempre comum a todos, e o que me deixou saudades, dos que já morreram, e me vai custar nunca mais ter, quando todos já tiverem partido, a forma como conseguem mostrar que gostam de nós, só com o olhar. Há qualquer coisa nos olhos dos avós, que normalmente são...

Rebobinar até ao sítio certo uma cassete, uma arte perdida!

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Devia ter os meus 7, 8 anos, não consigo precisar bem, sei que era bem pequena e que já dominava um VHS. Um dia decidi ver um filme que estava numa sala pequena em casa dos meus avós paternos, onde havia várias cassetes, um leitor de VHS e uma televisão. Encontrava-me sozinha, como sempre gostei de estar, sossegada, enquanto os adultos faziam as coisa lá deles, conversavam coisas chatas e que não me interessavam minimamente. O título era "Música no Coração", e se tinha música, só podia ser bom. Rebobinei e comecei a ver, sem qualquer noção do que para ali estava. Uma música bonita surgiu e levou eternidades numa apresentação sem fim, com barulhos de pássaros a cantar, paisagens, casas, tudo bonito. Recordo-me de estar já a ficar sem paciência porque o filme demorava em começar, mas quando já estava prestes a desistir e mudar a cassete, a música desenvolve e diz que vai acabar, aproximando-se de um êxtase musical que todos reconhecem, até mesmo crianças. Entra a protagonis...

8 de Março

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Muitas vezes digo em desabafo ou frustração que "quem me dera ser homem!", tudo seria bastante mais fácil e leve. Há uma série de vantagens físicas, emocionais, para se preferir utopicamente ser homem; têm naturalmente mais força, logo, custa-lhes bem menos qualquer tarefa física, não sofrem de alterações hormonais mensais, nem dores regulares, não carregam filhos no ventre, não os expulsam ao fim de 9 meses, não precisam de fazer a depilação se assim o desejarem, não engordam com tanta facilidade, perdem peso rapidamente com meia dúzia de idas ao ginásio, podem nadar sempre que lhes der na real gana. Isto é só aquilo que me lembro assim de repente. Depois, numa outra área mais complexa, a social, nem vamos falar, não é? Já basta de gabarolice rapazes, todos sabemos como é bom ser-se macho por aqui. Isto é daqueles assuntos já tão falados que parece que nos estamos constantemente a repetir, e isso cansa. Mas, em 2016 tive o meu primeiro filho rapaz, e pensei, "b...

Caminhadas e Teologia

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As crianças, de uma maneira geral, adoram caminhar com os pais. As minhas gostam, é uma forma de sair de casa, espairecer, e na maioria das vezes, conversar sem pressas. No último fim de semana acordei cedo demais para um domingo, ideal para caminhar antes de almoço. Levei os mais pequenos e o cão, e lá fomos, andar sem destino concreto, reclamando dos passeios feitos para inglês ver, e não para pessoas andarem, tortos, pequenos, com falhas, impossíveis para carrinhos de bebé. A dada altura passa um carro e a Teresa comenta: "olha, vai ali o pai da (...)!", e eu respondo que não me lembrava de quem era a menina, "Aquela que nunca podia festejar o Natal, nem o Carnaval, e nunca levava bolo no dia de anos!", explicou, descrevendo uma criança filha de uma família de Testemunhas de Jeová. "Coitadinha", comentei, eu também só tive Natal a partir dos 12 anos, por causa dessa religião, lamentei. "Que horror!....", diz, "que estupidez!, mas po...

2018 - Check!

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Pronto, já está, sobrevivemos a mais uma temporada de jantares hipercalóricos, andamos cheios de azia do espumante de fim de ano, mas podemos orgulhosamente dizer que 2018 está cumprido!  Normalmente sou uma pessoa otimista, positiva, e com tendência para rir do que faz chorar, (adoro humor negro). 2018 para mim cumpriu-se, ultrapassei fases mais difíceis, fiz uma mudança de casa literalmente toda às costas, viajei, engordei uns kilos, comprei um cão, só ainda não deixei de fumar. Tinha falado sobre isso, eu sei, mas ainda gosto tanto do meu momento zen à varanda, quando fecho a porta de vidro e tudo fica em paz, acendo o meu cigarro e olho a paisagem. Quem tem filhos pequenos sabe como é preciso momentos de paz, de silêncio, é essencial. Mas está como projeto a médio prazo, até aos 40 anos acabo com o vício fedorento, prometo! Voltando a 2018, um ano que revolucionou tanta coisa na nossa vida, é preciso aprender com ele algumas coisas: nunca subestimem um ano par, quando ...