"Aquilo que És fala tão alto, que já nem ouço o que dizes!"
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É automático, dizemos que vamos tirar uma foto e elas colocam o sorriso ensaiado e a pose "natural" de modelo... Quem as ensina, não sabemos bem, mas parece que resulta, pois a foto fica bonita!
Só quem já partiu uma coisa que lhe era extremamente necessária pode entender o desespero de uma mulher a tentar tirar a chaleira de vidro da máquina de café, arrumada numa prateleira demasiado alta, e vê-la estatelar-se no chão, depois de lhe arrumar um pontapé com o dedo grande do pé, naquela tentativa tão patética de "apanhar o objeto com o pé". Toda a gente sabe que o pé não agarra nada, não tem polegar, mas ainda assim temos este instinto ancestral de quando abríamos bananas com os membros inferiores enquanto coçávamos o cucuruto da cabeça distraídos. Felizmente tinha uma chaleira sobresselente, o que suavizou o mal estar momentâneo de ver milhares de vidros espalhados por toda a cozinha antes das 8h00 da manhã... Noutros tempos daria murros no peito e arrancaria uma mão cheia de cabelos, para soltar a raiva, mas isso era no tempo em que ainda tinha polegares lá em baixo. Hoje, civilizadamente apanhei os cacos e fiz café!
Depois de nascer um bebé somos catapultados para um dia a dia caótico e desorganizado, onde nos sentimos absolutamente abalroados por uma onda gigante que ironicamente não mede mais que cinquenta centímetros... Toda a família direta é acordada para esta realidade, sem dó nem piedade, e mesmo nas casas onde os bebés já não são nenhum segredo, como é o meu caso, não há nada que nos prepare para os primeiros meses de vida de um ser Humano. Gritos, exigências, dores, sono, os bebés não nos poupam a nada, berrando a plenos pulmões tudo o que sentem, e voltando ao estado fofinho em nano-segundos, só para nos enganar por breves momentos e prevenirem-se de que não cometemos nenhuma loucura, sorrindo-nos batendo as pestanas... É preciso muita saúde mental para criar um filho, muita abnegação e sacrifício para viver durante vários meses uma vida de reclusão e sono. Uma tarefa difícil, a mais difícil das nossas vidas, mas que não trocávamos por nada neste mundo, porque depois de vermos o nos...
Começaram já as dores de cabeça dos milhares de encarregados de Educação pelo País fora... À medida que as crianças avançam na idade escolar, os preços dos manuais aumentam, o número de disciplinas duplica e a situação torna-se mais difícil. Num tempo em que há muita gente a viver com o ordenado mínimo, menos de 500€, há pais que pagam 30€ pelo livro de Matemática do 8º ano! E estamos a falar de uma disciplina importantíssima, que requer o manual obrigatoriamente. A grande maioria das pessoas que conheço consegue possibilitar aos filhos o material necessário para as aulas porque trabalha e recebe subsídio de férias que é totalmente canalizado para estes gastos, e quem recebe a recibo verde? e quem está desempregado? Este ano, embora não viva situações dramáticas, decidi reciclar os livros que tinha em casa, trocar outros que não preciso por manuais que não tenho e reciclá-los também, apenas por uma questão de princípio. É um total desperdício de dinheiro estarmos a comprar livros novo...
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