quarta-feira, 24 de março de 2010

A Rosa e a Cruz


O nosso sentimento cristão, que nos é intrínseco por educação, consegue surpreender-me nos momentos mais variados. Tenho tido a oportunidade de o experimentar em muitas ocasiões, de o viver, para o bem e para o mal e confesso, cada vez mais aprendo com ele. Tenho a absoluta convicção, que se não fosse esta predisposição cristã para o amor ao próximo, já teria uma úlcera no estômago.... Surgem-me problemas de relacionamentos, provações à paciência e à tolerância, e consigo cada vez mais ultrapassá-las, com distinção!! Um dos truques que utilizo é pensar na Cruz, não meramente a imagem, mas o significado espiritual que ela nos transmite, enquanto sofrimento que carregamos. Penso nela como a verdadeira prenda de Deus, o caminho mais rápido para a nossa Ascenção. Depois penso na rosa, como perfume divino de pureza e meta a atingir dentro do nosso coração. Junto as duas, envolvo-as em mim e deixo que esta parceira alquímica me molde e transforme. Parece difícil, mas não é! Se tudo isto não resultar, tomo um comprimido Renie para a azia e aceito a imperfeição da condição humana, pecadora e falível...

quinta-feira, 4 de março de 2010

As nossas crianças


Estamos a viver uma época de grandes desgraças, naturais, sociais, que parecem não ter fim. Muitas vezes penso que a televisão é que é culpada por este ambiente derrotista que se vive, mas será que as boas notícias vão aparecer? Milhares de pessoas morrem, ficam feridas, nos desastres ambientais, terremotos, inundações, mas mesmo ao nosso lado, muitas vezes, vidas de crianças começam a afundar-se e ninguém dá conta! Fiquei muito abalada com esta notícia recente da criança que caiu ao rio... que pelos boatos o fez voluntariamente e sofreria de violência na escola, e sabe Deus do que mais sofria... Muitos meninos crescem em ambientes psicóticos, destruturados, começam a lidar com emoções que não são próprias para as suas tenras idades, vão aprendendo a viver e sobreviver emocionalmente mal apoiados. A crise social e a miséria de espírito são os grandes culpados de muito sofrimento infantil, e a grande maioria das pessoas que convive com os menores, nunca se apercebe, ou se interessa pelos problemas alheios... Professores, Médicos, poderiam ter um papel mais activo na prevenção e tratamento destes males sociais. Convivem directamente com as pessoas, ganham intimidade com os miúdos, como é possível que não vejam sofrimento nos olhos deles? Onde está a responsabilização social que deveríamos ter uns pelos outros? Custa-me sempre muito ler certas notícias, porque sei que apenas posso sentir pena, assistir de longe aos acontecimentos. Não há nada de imediato que realmente possa fazer pelas crianças que sei que sofrem, a não ser alertar as autoridades... ou seja, sujeitar-me às leis que Portugal tem para defesa e protecção de menores... que são o mesmo que nada!! A sociedade poderia intervir mais, exigir mais, mas não o faz. Enquanto os nossos filhos estiverem bem, dos outros, temos pena.... Continuamos a desligar a televisão quando queremos ter uma vida feliz e despreocupada.
Um dia vamos ter de acordar desta apatia, vamos ter de aceitar que somos todos irmãos e comportarmo-nos como tal.