quinta-feira, 4 de março de 2010

As nossas crianças


Estamos a viver uma época de grandes desgraças, naturais, sociais, que parecem não ter fim. Muitas vezes penso que a televisão é que é culpada por este ambiente derrotista que se vive, mas será que as boas notícias vão aparecer? Milhares de pessoas morrem, ficam feridas, nos desastres ambientais, terremotos, inundações, mas mesmo ao nosso lado, muitas vezes, vidas de crianças começam a afundar-se e ninguém dá conta! Fiquei muito abalada com esta notícia recente da criança que caiu ao rio... que pelos boatos o fez voluntariamente e sofreria de violência na escola, e sabe Deus do que mais sofria... Muitos meninos crescem em ambientes psicóticos, destruturados, começam a lidar com emoções que não são próprias para as suas tenras idades, vão aprendendo a viver e sobreviver emocionalmente mal apoiados. A crise social e a miséria de espírito são os grandes culpados de muito sofrimento infantil, e a grande maioria das pessoas que convive com os menores, nunca se apercebe, ou se interessa pelos problemas alheios... Professores, Médicos, poderiam ter um papel mais activo na prevenção e tratamento destes males sociais. Convivem directamente com as pessoas, ganham intimidade com os miúdos, como é possível que não vejam sofrimento nos olhos deles? Onde está a responsabilização social que deveríamos ter uns pelos outros? Custa-me sempre muito ler certas notícias, porque sei que apenas posso sentir pena, assistir de longe aos acontecimentos. Não há nada de imediato que realmente possa fazer pelas crianças que sei que sofrem, a não ser alertar as autoridades... ou seja, sujeitar-me às leis que Portugal tem para defesa e protecção de menores... que são o mesmo que nada!! A sociedade poderia intervir mais, exigir mais, mas não o faz. Enquanto os nossos filhos estiverem bem, dos outros, temos pena.... Continuamos a desligar a televisão quando queremos ter uma vida feliz e despreocupada.
Um dia vamos ter de acordar desta apatia, vamos ter de aceitar que somos todos irmãos e comportarmo-nos como tal.

2 comentários:

Anónimo disse...

Infelizmente vivemos hoje numa época onde a sociedade não abre espaço para a família, para as crianças e para os idosos: vida de escravatura, quando não imposta pelas exigências laborais imposta por nós próprios.
Ou entregamos os nossos filhos e os nossos velhos ao cuidado de terceiros ou deixamos ao Deus dará!
Depois vão surgindo as disfunções sociais, os problemas, as tristezas os dramas!
Onde iremos parar? Seguramente a algum lado, esperemos que a aprendizagem não seja demasiado dura....

Nuno disse...

Hoje em dia, a sociedade rege-se por valores e normas que, até há bem pouco tempo, eram impensáveis. Cada vez se dá mais importância à eficiência, ao desempenho, ao lucro... Deixando para trás os verdadeiros valores pelos quais se devia reger uma sociedade. Achamos que é sempre possível continuar a crescer e a evoluir. O ser humano já mais parece um autómato do que um ser vivo. Qualquer dia atinge-se o limite e depois? O que é que vai acontecer quando não for possível continuar a melhorar a nossa performance?! Hoje em dia "é normal" dar-se mais importância ao trabalho do que à família!!!

À conta disto, as crianças são "abandonadas", deixadas à sua sorte. Os pais deixam de ter tempo para os filhos e esperam que seja a escola a substituí-los! Obviamente que isto não é possível, ainda para mais com as condições que as escolas (não) têm. Hoje em dia os professores perderam toda a autoridade que tinham. Passou-se do 80 para o 8. As crianças sentem-se impunes e o ambiente social deteriora-se, inevitavelmente.

Beijitos,
Nuno.