quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

O Antes e o Depois



Não podemos ser hipócritas ao ponto de desprezar as maravilhas da internet, a evolução drástica que trouxe ao nosso dia a dia, a facilidade com que hoje fazemos certas tarefas. É muito bom ter amigos, família, contas domésticas, bancos, receitas da farmácia, datas das consultas, agendas com avisos sonoros, etc, etc, tudo no bolso, guardado no pequeno dispositivo com que às vezes falamos ao telefone. Não é bom, é ótimo! E quem disser o contrário, é porque é masoquista, ou não tem um androide e nunca percebeu como pode ter a vida no bolso. Mas não raras vezes, quando nos sentamos à mesa e cada um dos presentes pega no "seu mundo", olho em volta e penso como tenho saudades de ser primitiva. A alegria que era receber um postal, a aventura de namorar ao telefone com pessoas por perto, o perigo de corarmos e alguém perceber a conversa, como era libertador sair da escola e andar em silêncio sozinha nos transportes, ver a paisagem, observar os outros passageiros, olhar para a frente na rua e não para as mãos, chegar a casa e estar só. Aquela solidão imposta com que todos sabíamos conviver até aos anos 90 e que acabou. Ninguém faz nada sem espreitar o telemóvel que apita insistentemente, lembrando-nos de que alguém nos quer falar, comentou ou está apenas para ali à espera de um sinal. Como podemos estudar, cozinhar, ver um filme, e pior, ler um livro, se não largamos a bodega do aparelho?, que para piorar, ainda é portátil e pequeno? Já pensei várias vezes em tomar atitudes drásticas lá em casa, arranjar uma caixa à entrada na porta onde todos colocariam o telemóvel, em silêncio, e apenas lhe poderiam pegar ao outro dia antes de sair. Mas aquilo é danado, tem truques para viciar os mais inocentes, ou porque não podem perder as "chamas" numa aplicação, ou porque as amigas não param de pôr fotos e temos de comentar, ou porque estamos apenas todos viciados em egocentrismo. Lanço um desafio às minhas pequenas viciadas lá de casa, experimentem nas férias de Natal "brincar aos anos 90", desliguem os telefones, olhem para a frente, convivam com o silêncio da casa e do resto dos locais. Vão ver a quantidade de coisas que não conheciam.

terça-feira, 21 de novembro de 2017

Vende-se apartamento em local péssimo!



Sempre vivi em prédios, uns maiores que outros, com todas as suas vantagens e desvantagens... Conheci múltiplas personalidades e feitios, uma doida pelas limpezas, outra que aterrorizava as redondezas com uma bengala e cuspia ódio, homens calados e metidos consigo mesmos, crianças adoráveis, outras nem tanto, enfim... Nunca tive problemas com ninguém, mesmo quando a vontade que temos é de bater com o cabo da vassoura no tecto, nunca o fiz. Tento não valorizar certas coisas, ignorar alguns exageros, já que dias não são dias, mas às vezes é difícil! É difícil compreender porque cozinham às 23h00, riem de boca toda aberta até à 1h00 da manhã, porque deixam um cãozinho a ladrar horas consecutivas do lado de fora de casa, porque compraram um papagaio se não o suportam dentro de casa, porque insistem em reservar lugares de estacionamento dias inteiros para que os familiares possam arrumar os carros confortavelmente...
Não sei se é da idade, da falta de sono, da impaciência em geral, mas ultimamente os meus vizinhos andam a abusar! Acho que está na hora de me ir isolar numa cabana, longe da civilização, arranjar uns cães para guardar o terreno e ficar sossegada no meu canto. Não digo comprar uma caçadeira e sentar-me no alpendre à espera que um intruso me venha importunar, porque deve ser difícil comprar armas. Será assim tão difícil perceber que há pessoas que se deitam às 22h30 e que querem silêncio, que também têm o direito de estacionar na rua, que não têm de ser obrigadas a aturar os animais de estimação dos outros?
Haja paciência!!

sexta-feira, 3 de novembro de 2017

Vamos lá deixar de tremer quando o assunto é este!



Dois homens são filmados a espancar um outro, já caído em estado letárgico, sem reação. Pessoas gritam das janelas, umas mais perturbadas que outras, perante o espetáculo ao vivo. Tudo começou aparentemente dentro do MacDonalds, à hora de abertura, dois rapazes de etnia cigana começam a implicar com um funcionário de 57 anos. Dão-lhe uns "cascudos", conforme relata o mesmo, e há agitação entre os funcionários. Entra um casal para tomar o pequeno almoço e depara-se com a cena, o rapaz decide acudir o homem, e pronto. É levado para a rua, onde o espancam violentamente, na maior das calmas. A namorada da vítima ainda leva umas chapadas, mas concentram toda a atenção no rapaz de 24 anos que fica inconsciente no chão. Estive a tentar não ver o vídeo, mas cedi à curiosidade e arrependi-me logo. Não tenho estômago para estas imagens, sejam elas reais, ou em filmes. É para a maioria das pessoas inconcebível este tipo de agressões, esta frieza que aparece em certos homens, que pontapeiam cabeças, como se nada fosse, sem remorsos ou culpas. Não é nada que não aconteça de vez em quando, certamente, apenas não é filmado sempre, nem partilhado nas redes sociais. Há no entanto algumas questões a fazer neste caso específico: certamente os funcionários do MacDonalds ligaram à polícia, que tem duas esquadras perto do local, os agressores levaram algum tempo a concluir o espancamento, afinal, vários vizinhos acordaram com o barulho, vieram às varandas e filmaram o final do crime. Porque não aparece a polícia entretanto? Porque não são apanhados os agressores na fuga, visto que o carro deve ter sido descrito às autoridades, e os ciganos dentro dele são referenciados de outras situações semelhantes?... Porque sentimos que na calma dos agressores está espelhada a impunidade constante em que vivem há vários anos? Quando é que põem estes criminosos de profissão no seu lugar e acabam com este faroeste na noite de Coimbra?
Vivem descansados a coçar o umbigo, encostados ao balcão do café, fazem umas negociatas pontuais para terem dinheiro de bolso e o resto é tudo dado e arregaçado. Ainda hoje passei no Ingote e vi uma família numa carrinha Passat de 2017, novinha em folha, cinzenta. Aquilo é carro para custar algumas dezenas de milhar. Expliquem-me lá como podem pessoas que vivem em bairros sociais comprar estes carros se não têm empregos com salários que lhes permitam pedir empréstimos ao banco? Pagam em dinheiro vivo? Então, mas como é que conseguem reunir tanta nota? Ganharam o Euromilhões? E os seguros do automóvel, são pagos? O Imposto de circulação, pagam-no? Continuemos a assobiar para o ar, que é melhor não nos metermos com ciganos, que isso é malta lixada! Ontem no Continente cruzei o caminho com uma família dessa etnia que seguia num dos corredores a fazer um alarido, como é habitual, a dada altura um de nós tinha de parar, para não chocarmos. Não me apeteceu mesmo nada dar-lhes passagem, e continuei, obrigando uma das mulheres a parar para eu passar. Ficou a olhar-me com cara de má, eu ignorei, como se nada fosse. Também tenho irmãos, primos e pais, isso não me dá o direito de fazer bulling constante a quem me apetecer. Não são mais que eu, habituem-se!

terça-feira, 31 de outubro de 2017

Divas e Poetisas

Na última tertúlia literária do grupo "Lousã Book Lovers" conhecemos uma autora portuguesa contemporânea que nos deliciou com os seus poemas excêntricos, a sua simplicidade quase infantil e por vezes psicótica, de miscelânias incompreensíveis. Rimos muito a ler passagens do livro "Amanhã" de Adília Lopes. Não conhecia a senhora, mas fiquei fã, com a mesma admiração que sinto pela nossa Natália de Andrade, a Diva portuguesa do canto lírico do final do século passado. Há nelas a mesma genuína honestidade, que nos desarma, mesmo que provocando arrepios de dor e gargalhadas sufocadas. Ao ouvir Verdi pela boca de Natália ficamos extasiados e com pena da pobre senhora, tão orgulhosa das suas notas altas. Apetece-nos tirá-la do palco para a poupar à vergonha, mas não conseguimos deixar de ouvir, e no final, aplaudimos entusiasticamente. O mesmo se passa no livro da Adília, é viciante!


Excertos de Adília Lopes:


sexta-feira, 15 de setembro de 2017

Bem-aventuranças




Estou desde ontem a morder a ponta dos dedos (figurativamente, claro, que isso é nojento) por causa de opiniões que algumas pessoas regurgitam como se fossem grandes dizeres... também calhou ver um vídeo de um "religioso" a ofender uma pessoa gratuitamente, o que me enervou, e juntando tudo numa grande tigela de emoções, só me apraz dizer:

Não és gay, parabéns, mete-te na tua vida; És gay, parabéns, mete-te na tua vida; És religioso (e aqui a definição correta será: pegas na Bíblia e destilas ódio pelo teu semelhante que não pensa como tu), parabéns, fecha-te em casa e reza e mete-te na tua vida; És ateu, parabéns, mete-te na tua vida; Gostas de cães, parabéns, pega na trela e vai passear o boby, mete-te na tua vida; Não gostas de cães, parabéns, tens menos pêlos em casa para aspirar, mete-te na tua vida; Comes carne, parabéns, tens a tua vida culinária facilitada, mete-te na tua vida; Não comes carne, parabéns, consegues vencer a gula, mete-te na tua vida;
(podia ficar aqui o resto do dia a escrever, mas já estou mais leve...)

Bem-aventurados os que deixam os outros em paz e se metem na sua vida, porque deles será certamente o Reino dos Céus!

Podia colocar aqui um versículo, ou apenas o seu número, para dar mais credibilidade à minha parvoíce, mas entendo que os Iluminados que escreveram a Bíblia não fossem gostar dessa heresia. Ainda conseguiria enganar meia dúzia no FB e quiçá um dia, formar uma Igreja de ressabiados. Um dia, quem sabe, pra reforma, aqui fica uma ideia.

segunda-feira, 31 de julho de 2017

Anos 90 e um bloco


Todos nós temos uma atividade que nos dá prazer, algo que fazemos com facilidade e gozo, uns pintam, outros cantam, outros escrevem, com mais ou menos regularidade, mas sempre com felicidade. Um escape que nos segura e alimenta a alma e que, nos casos mais "graves", nos garante a sanidade mental. A maioria só o descobre quando já está a chegar à fase mais adulta da sua existência, que nos limita mais fisicamente e nos impele a encontrar uma outra forma de dinamismo. Mas há casos em que trazemos connosco esse vício desde novos, mais adormecido, mas sempre presente. Eu sempre gostei de escrever (e ler), e rabiscava em cadernos que tinha para o efeito, quando ainda não havia tanta tecnologia disponível. Encontrei noutro dia um desses blocos do século passado, com pensamentos que não me recordo de pensar, sentimentos que já não fazia ideia que tinha sentido, como se lesse alguém completamente diferente. Uma experiência muito interessante, que me transportou para os anos 90, no tempo em que achava que certamente o futuro seria aquilo que eu quisesse, e desdenhava nos hipotéticos contratempos que surgissem pelo caminho. Pensei em mostrar às miúdas lá de casa, como curiosidade familiar, mas tornei a fechar o caderno e a colocá-lo naquele buraco escuro, que já não me recordava de ter encontrado para selar tudo aquilo. Não vale a pena ter que refazer toda a imagem maternal construída nestes belos anos de vida familiar. Vamos deixar a Mãe sagrada e excepcional! ;)

quinta-feira, 1 de junho de 2017

1 de Junho - dia para relembrar coisas tristes


O dia de hoje foi escolhido para relembrar a Criança, os seus direitos, a defesa dos mesmos, e para também nos recordar de como é importante proteger esse estádio do ser humano, os seus primeiros anos de vida, em que todos somos dependentes da boa vontade, saúde mental, condições económicas, cultura dos nossos cuidadores adultos. Quando nos pomos a pensar na nossa infância, a maioria de nós, os que lemos blogues e andamos por aqui nas redes sociais, etc, não temos grandes traumas ou lamentações, felizmente calhámos em famílias consideradas normais e crescemos com alegria e amor, mas e os outros? Os outros estão longe, fora do nosso alcance visual, das nossas preocupações diárias, e isso é o grande problema. "Longe da vista, longe do coração!" E é mesmo assim! Não fosse uma ou outra foto sensacionalista de crianças com fome, ou vídeos de bebés a serem maltratados, não nos lembraríamos de que nem todos os meninos e meninas vivem como os nossos filhos. Colocamos um bonequinho a chorar, escrevemos umas palavras de revolta e pronto! Está feito!
Recordo aqui uma história com um par de anos, só para testemunhar o quão cínicos somos todos nesta matéria.
"Um dia, numa reunião com pessoas que semanalmente lidavam com crianças, e discutindo o tema da pobreza na infância e como ajudar a minimizar os seus efeitos, decido contar aos meus pares a história de um dos "meus meninos". Tinha oito anos, filho de pessoas pobres (ao nível de nem sequer terem um transporte familiar, moto, carro, bicicleta etc), com diversos problemas sociais, negligenciado e que uma manhã estava particularmente inquieto na minha aula. Perguntei-lhe o que se passava, quando todos os colegas já se tinham ido embora. Chorou muito, e confessou que tinha fome. As suas exatas palavras foram "A minha mãe não se levanta para me fazer o pequeno almoço e eu estava atrasado e não comi." Naturalmente que tinha fome, de comer, de atenção, de cuidados. Era uma das crianças mais espertas que conheci. Perguntei aos colegas se podíamos tentar ajudar de alguma maneira aquela família. Como pelos vistos já todos conheciam as pessoas em questão de outros "carnavais", o problema de uma criança de oito anos foi minimizado pela plateia e ninguém se quis meter no assunto."
Foi a primeira desilusão, passado uns meses ele foi retirado aos pais e vive ainda hoje institucionalizado. Na altura eu pouco podia fazer sozinha. Tentei falar com a mãe, várias vezes ajudei com o que podia, mas obviamente que a caridade não resolve, apoia.
Não consigo descrever tudo o que senti naquela reunião. Fúria, desilusão, tristeza, perante a covardia, cinismo, hipocrisia daqueles adultos cristãos que nunca passarão das palavras aos atos nem das intenções aos verdadeiros sentimentos que nos movem a agir perante algo errado. Foi a última vez que lá pus os pés. 
Muitas vezes penso nele e nos outros tantos meninos que vivem vidas desprezadas. É muito triste, mas mais triste ainda, é sermos eternamente cínicos e ensinarmos as crianças a serem-no também.
Talvez seja eu a errada nisto tudo, pois cada um tem a sua sorte... O grande problema (e meu pessoalmente) é que nem todos somos feitos de coisas moles e temos serradura na cabeça... 
(espero que ele não cresça amargurado, se isso for possível, que consiga perdoar-nos e que tenha uma vida  adulta feliz)

segunda-feira, 29 de maio de 2017

3ª Tertúlia "Lousã Book Lovers"


Nunca tinha lido a obra "Meu Pé de Laranja Lima". Como a maioria de nós, já ouvira falar, mas felizmente ainda não tinha visto o filme brasileiro. (Se há coisa que estraga a leitura é já sabermos a história.) Pessoalmente adorei o livro, muito simples, despretensioso, honesto e essencialmente humano, tanto no melhor e pior que isso possa significar. Uma leitura em "brasileiro", totalmente lida com sotaque, e também por isso mesmo, mais emocional. (várias lágrimas...) Quem resiste a uma criança de cinco anos, traquina, que no meio de uma pobreza que não conseguimos imaginar, consegue inventar amigos, cenários de brincadeira, e ainda ter espaço para a "ternura"? Queremos consolá-lo, dar-lhe um presente no Natal, comprar-lhe uns sapatos, uma roupa de poeta, e protegê-lo dos dramas familiares que se vivem numa casa com necessidades financeiras, emocionais e abandonada ao desespero. Um português representa o herói na história, e também isso nos toca, e nos deixa ligeiramente felizes e orgulhosos enquanto povo. Essencialmente somos transportados para uma dimensão quente, poeirenta, de gente esfomeada e triste, onde vive um menino chamado Zezé, e o nosso coração aperta.
José Mauro de Vasconcelos colocou na sua escrita muita da sua vivência pessoal, experiências de infância, e construiu uma obra magnífica, chamando a atenção para a pior das pobrezas, a falta de ternura. Conseguimos todos crescer com relativamente pouco comer, a maioria da população do planeta não começa o dia com cereais coloridos e doces, mas não crescemos saudáveis sem amor. Amar faz falta, a ternura nas famílias faz falta, mesmo quando tudo parece não ter solução, sem ternura fica com certeza mais difícil. 


sexta-feira, 19 de maio de 2017

"Bem Vindos ao Circo!"



Hoje de manhã, ao deixar o meu filho mais novo na creche, tive uma visão muito triste. E digo triste, porque sofro bastante com os problemas alheios, e nada de bom se avizinha para algumas mães desta época. Sempre observei com alguma crítica aqueles pais que fazem malabarismo matinal, todos os dias, quando precisam de deixar os filhos na escola, e que não conseguem resolver as questões de separação com naturalidade, como seria de esperar - afinal nós voltamos ao final do dia, e eles nem vão notar a nossa ausência. Mas hoje, pela primeira vez, fiquei perplexa ao ver uma mãe em pleno desfile de variedades, que do caminho do carro à porta da creche, carregada de balão, brinquedos pessoais e mochila, tentava convencer a menina de metro e pouco a entrar na porta... Mas o que é isto? Estive quase a perguntar à senhora. Já viu a figura que está a fazer? Também me surgiu na cabeça. Que macacadas vai fazer à criança quando ela for para a escola primária? Perguntei a mim mesma, estupefacta. Sim, porque dificilmente esta senhora conseguirá inventar distrações e subornos materiais durante vários anos seguidos, e eles, é preciso que alguém a avise, costumam ficar mais exigentes com a idade. O medo de traumatizar os filhos ao obrigá-los a fazer algo que eles não querem, domina completamente estas pessoas, e isso é preocupante. Não sei se é coincidência ou não, mas todos os meus filhos sempre adoraram a escola, foram voluntariamente dos meus braços para os braços das professoras, auxiliares e funcionárias em geral. Nunca tive uma birra ou choro matinal, e acho que não era por estarem aliviados a fugir de mim (espero). Tenho a convicção de que a minha atitude firme e natural, que nunca transpareceu ansiedade (mesmo que nos primeiros dias em que deixei um bebé de 4 meses na creche chorasse sozinha no carro), os deixasse calmos e seguros do que estava a acontecer, e com o tempo, simplesmente gostassem de estar na escola, de brincar, de conviver com os seus pares. Há crianças mais difíceis que outras, isso é certo, mas fazer a roda e o pino enquanto fazemos malabarismos com bolas coloridas, só para que a menina de 3 anos aceite que tem de ficar na escola, não é para mim. "Desculpem lá meus filhos, mas a mamã tem pouco jeito para ser palhaça. Às 18h00 venho buscar-vos, beijinho, até logo, e não mordam os colegas!"

(imagem, internet)

quarta-feira, 10 de maio de 2017

Salvador da Pátria!



Há alguns anos que não perdia tempo a ver o Festival da Eurovisão... Ontem lá estive a ver aquelas pessoas estranhas, que pelos vistos quiseram homenagear os Ingleses, que estão de partida, e cantaram todos(alguns emitiram sons) na língua "mãe" da antiga UE. Quando o nosso concorrente se apresentou, em português, houve claramente um misto de espanto e deslumbramento, o rapaz não vestiu lantejoulas nem fatos brilhantes, não quis dançarinas para distrair o público e teve alguns momentos que dificilmente conseguimos classificar, eu pelo menos não entendo aqueles saltinhos e caretas. Mas cantou, e como acontece quando a música é boa e a voz afinada, ninguém se importou com a excentricidade da figura. Até me parece que algumas pessoas do público estariam a pensar com carinho: "coitadinho, canta tão bem para tontinho"... Independentemente da polémica (hoje tudo serve para debater), o rapaz portou-se bem, esteve genuíno, como se tem apresentado, e conseguiu levar Portugal à final, só por isso, Parabéns! Agora os senhores portugueses que estão lá fora, façam o favor de gastar 0,60€ mais IVA e no sábado votar no nosso concorrente!!