segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

De sete em sete


Há quem tenha a convicção de que a nossa vida muda de 7 em 7 anos... Eu estive a refletir sobre isso e talvez haja alguma coerência nessa crença. Não que tenha acontecido algo de específico nessas datas, mas grandes mudanças interiores, chamemos-lhe crescimento, maturidade, comprovam a ideologia. Talvez agora nesta nova fase, que iniciou já em 2015, a minha tarefa seja "simplesmente" continuar a desligar-me de certas pessoas e problemas, limpar más energias, varrer convenientemente o salão de visitas e deixar lá apenas o essencial. É que depois de algumas décadas a aprender a viver com pessoas, chegamos a um ponto em que aprendemos isto: a Família é que interessa, é o único grupo de pessoas por quem devemos engolir sapos, é quem merece a nossa dedicação e sacrifícios e só entra na nossa Família de sangue quem nos estava destinado a pertencer também. E se o Destino tem alguma utilidade mística, e queremos crer que sim, é a Família a grande batalha da nossa existência. 
E isto significa o quê? Pergunto-me eu por vezes, tentando perceber o papel dos amigos na nossa vida... Significa que devemos evitar confundir amigos com Família, e gerir sabiamente as duas realidades, para não apanharmos desilusões nem desgostos, porque quem não é Família, mesmo que em algum momento nos pareça "familiar", vai e vem, de sete em sete. Parece um pouco amarga esta conclusão, mas se o pragmatismo já fazia parte de mim desde pequena, parece que agora, na 5ª volta do ciclo da vida, ele se destaca de todas as características.
Vamos lá ver o que os 42 anos me vão trazer... se der para fazer já o pedido, pode ser uma semana de férias sozinha com os meus e alguns livros. Obrigada!

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

O Livro que nos une!


Para os mais novos, os que já cresceram com distrações eletrónicas por toda a parte, é difícil entenderem o que os livros significam para certas pessoas, é natural, sempre tiveram alternativas bem mais "fáceis" do que segurar um objecto que pesa, durante algum tempo seguido.
Lembro-me de ser pequena, talvez a entrar na adolescência, e me aborrecer com os dois canais disponíveis na televisão e olhar para a estante de livros da sala resignada... "pronto, lá vai ter de ser... vamos lá ver o que por aqui se arranja...", e lá ia eu na busca do título e capa que me parecessem apelativos ou possíveis leituras para a minha idade. Li muito, muita coisa diferente, ri, chorei, sonhei e nunca parei até ter a primeira filha. Mais tarde, quando tornei a ter tempo e disponibilidade mental, recomecei a leitura e assim tem sido até hoje. Com um bebé praticamente com nove meses, já consigo isolar-me nos meus pensamentos à noite, e dedico-me a ler o que for aparecendo. Policiais, romances, tudo serve para distrair, gosto de todos os géneros, desde que escritos com sabedoria. 
Recentemente surgiu a ideia de criar um grupo de leitores na Lousã que se unissem no objetivo de ler um livro em comum e depois, numa data a definir, se juntassem e conversassem sobre a obra. Uma forma social de ler um livro, as chamadas "tertúlias literárias", que me parece uma boa alternativa às formas comuns de socializar em grupo. Criando regras para os temas e discussões, limitam-se as liberdades do Ego e reaprendemos uma nova forma de estar. Será que vamos conseguir pôr isto em prática? Espero que sim!

terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

Filhos VS Internet



Há muita discussão e opiniões divergentes na questão: "devemos publicar/partilhar fotos dos nossos filhos nas redes sociais"? Sinceramente, parece-me que esta é uma questão pessoal, cada um tem uma forma diferente de encarar a exposição pública de si e dos seus. Na minha opinião, acho ridículos os extremismos de se achar que se colocarmos a foto de um filho pequeno no Facebook, este poderá ser raptado, ou a sua imagem utilizada por pedófilos nos seus crimes... Para mim, só uma mente igualmente doente poderá imaginar semelhantes coisas. Doente, egocêntrica e ligeiramente psicótica! Um famoso, alguém que seja assediado por fãs ou que tenha a sua privacidade constantemente invadida, tudo bem, é lógico que evite ainda mais exposição, mas nós, os comuns cidadãos, os que temos como "amigos" no FB pessoas que de facto conhecemos e que nos conhecem fisicamente, porque havemos de andar a esconder a cara de um bebé? Os nossos filhos não andam diariamente com sacos na cabeça para proteger as suas preciosas imagens físicas, ou andam? Se deambularmos pelo FB tipo parasitas, sem publicar nada ou dar o ar da nossa graça, só a espiolhar os outros, sem nos denunciarmos ou comprometermos com imagens, gostos ou opiniões, não percebemos o objetivo de "Rede Social". E se é para isso, então mais vale não fazer parte.O meu conselho é, bom senso.Tenho menos de trezentas "amizades" que têm acesso ao que decido partilhar sobre mim e os meus, e gosto de o fazer. Vejo apenas o lado positivo das redes sociais, porque para desgraças, já basta a economia do País!

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

Ensaio sobre a Amizade



(Ainda a respeito do Dia da Amizade:)


Amigos são como as estações do ano, vão passando na nossa vida de forma cíclica, umas vezes trazem calor, vento, tempestades, mas nunca deixam de estar presentes, de uma forma ou de outra. Também eu tenho sido invariavelmente chuva, sol, ventania, umas vezes conscientemente, outras nem tanto. Uma coisa estes quase 37 anos me têm mostrado: somos todos falíveis, nenhum de nós é sempre correto, ou mau. Tem dias! Tem horas e momentos. E se a vida nos vai afastando de algumas pessoas, porque tomamos sentidos diferentes, ou nos aborrecemos com elas, outras aparecem e começa tudo de novo. Como uma relação amorosa, primeiro o entusiasmo pela "novidade", depois a paixão e a ilusão de que aquela pessoa é perfeita, depois a desilusão e a fase do choro, acabando na separação. Felizmente, há algumas "paixões" que nunca desaparecem, algumas andam apenas mornas uns tempos, mas as qualidades que nos conquistaram ao início, voltam a ser mais importantes que os defeitos que possam existir, e esses amores ficam para sempre. Adormecidos no nosso coração, prontos a atacar! Um dia basta um sorriso, uma palavra simpática e todas as desilusões são varridas para debaixo do tapete e lá vamos nós outra vez! E quem não consegue fazer isto, é porque não é imperfeito também, e como dizia Álvaro de Campos: "Arre, estou farto de semideuses! Onde há gente no mundo?" Esses não os varro para debaixo do tapete, deito-os diretamente na retrete.
(Em casos muito extremos, não chego sequer a pegar na vassoura, que ainda requer algum esforço na coluna, e vai de aspirador para cima. Mas é preciso muito, bastante, e contam-se pelos dedos de uma só mão. Felizmente ainda tenho outra.)

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

Empatia - do grego: empátheia (paixão)


O tema é atual, diário e continua a sê-lo desde o início dos tempos. Sempre houve guerra, quem lutasse e morresse e quem simplesmente fugisse dessa desgraça. Continuamos a justificar o armamento de países com a "Segurança Nacional", o direito à defesa e proteção. Continuamos a fingir que tudo isto não é apenas um negócio para enriquecer meia dúzia, um jogo de magnatas em que as pessoas valem pouco ou nada. Muitas são até consideradas um estorvo, uma despesa e ninguém pretende ficar com essa responsabilidade. Portugal já foi palco de conflitos, também teve os seus refugiados, os seus mortos, e quem nos garante que um dia não voltemos a ter? Será que somos assim tão arrogantes ao ponto de pensar que por aqui nada de grave pode acontecer? Somos imunes à guerra? 
Estas imagens intemporais (esta foto em particular é da Guerra no Kosovo, 1999) mostram todas a mesma realidade: mulheres, crianças, homens, velhos, com a roupa do corpo. Levam-se a si mesmos e aos seus até lugares incertos e indefinidos. Uma massa humana a ceder ao instinto mais básico de todos, manter-se vivo.
Cabe-nos a nós, humanos com a sorte de viver num país estável e em paz, a missão de ajudar. E o que nos faltar em empatia, que nos sobre em receio de vir a precisar um dia. 

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

Desbloqueia-te!



Hoje em dia há imensa escolha para quem precisa de "se encontrar" e/ou pendurar-se em alguém/algo que lhe oriente as ações. Antigamente tínhamos as religiões, hoje há uma série de individualidades que se mostram como "auto-ajudas" ou "espirituais" e que, pela facilidade da oratória, ou simplesmente pela lata que Deus Nosso Senhor lhes concedeu, andam para aí a vender bilhetes para "espetáculos" e livros com frases patéticas de tão simples que são. Ama-te! diz um, Larga quem não te agarra! diz o outro, Faz só o que te der na real gana! diria eu... Mas será que precisamos mesmo disto tudo? Não teremos dentro de nós a capacidade de perceber o que fazer com a nossa vida? "Ganha coragem!, Desbloqueia os problemas, Conquista os teus sonhos!" É muito fácil falar, mas este senhor deve ter problemas bastantes simples na vida, porque nem tudo dá para desbloquear, e quando me aparecem estas "sugestões" no Feed de Notícias do Facebook, só me apetece mandar a própria página para um sítio que eu cá sei. Posto isto, vou ali desbloquear as vias respiratórias.

segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

Lágrimas de Mãe


É muito forte e estranho, o que sentimos quando vemos um filho pequeno a vibrar com alguma atividade, dedicado de corpo e alma ao que está a fazer. É por isso que gastamos rios de dinheiro com equipamentos, viagens, bilhetes, só para sustentar os hobbys extra-curriculares das crianças. Ficamos horas sentados a assistir aos treinos, geladinhos até à ponta dos cabelos, sorrindo de volta, todas as vezes que eles nos dizem "adeus", orgulhosos por estarmos ali a vê-los! Sentimos o coração a falhar quando caem, explodimos em êxtase quando vencem!
Este fim de semana retomei um hábito perdido, o de assistir a um espetáculo onde a minha filha de 9 anos participou. Desta feita em patinagem artística, e confesso que já tinha saudades do orgulho pateta que temos quando eles estão em palco/ringue. A dada altura, numa coreografia de grupo, a música elevou-nos para o final, todos os meninos/atletas se prepararam para terminar a dança e a minha filha, tão pequenina lá no meio, apenas mais uma entre centenas, estende o braço ao alto, fecha os olhos, como ensaiado antes, e eu fico feita parva a tentar disfarçar as lágrimas de emoção... Foi bonito, e mais bonito ainda porque algo dentro de mim, e de grande parte das senhoras que quando eram meninas viam os campeonatos de patinagem artística no gelo na RTP2, também dançou com ela.
Não sei como é que a Dona Dolores sobrevive aos jogos do filho há tantos anos... Haja calmantes...


sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

Reciclagem a quanto obrigas!


Sou uma adepta da reciclagem de roupas de crianças, pois a vida está cara, e parece-me um desperdício não aproveitarmos a roupa nova/quase intacta que os familiares e amigos próximos nos oferecem e devolvermos ao Universo o que já não queremos. Quem tem filhos, sabe bem como se reproduzem nas gavetas e roupeiros peças que deixam de servir em pouco tempo e que já não conseguimos mais guardar. Por isso, de vez em quando, lá enchemos sacos gigantes de roupa que depois canalizamos para conhecidos e instituições que necessitam. O grande drama neste processo todo é a trabalheira que isto dá! É preciso esvaziar gavetas, analisar peça a peça, destinar cada uma da forma mais correta, enfim, fins de semana perdidos nesta atividade de reciclagem.
E se eu já tenho algumas reservas no que toca à temática da reciclagem de lixo, por motivos que dariam muitas linhas para escrever, esta forma de reaproveitamento têxtil é como quem me mata. Só mesmo o facto de poupar vários euros (centenas) me faz aceitar sacos cheios de material. E enquanto me vejo perdida num mar de pequenas roupinhas de bebé recém chegadas, canto mentalmente o mantra: "daqui a um ano já não tens de comprar isto!"

quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

Negociadores natos!


Se somos nós que os educamos neste sentido, eu já não sei. Tento sem sucesso que os meus filhos abracem as tarefas domésticas como algo necessário e natural. Se naturalmente sujamos e desarrumamos, também naturalmente temos de colocar tudo no sítio! É tão simples... não compreendo a dificuldade de interiorizar isto!
Mas certo dia chego à cozinha, e alguém se tinha lembrado de que não era hóspede/convidado/ou acima de nenhum outro habitante da casa! Estou a analisar o trabalho, para ver se conseguia identificar o generoso ajudante doméstico, quando me deparo com este bilhete. Claro que me deu vontade de rir no momento, mas mais tarde, ao pensar sobre o mesmo não sei se ria se chore... Que desilusão vão ter estes miúdos de hoje em dia quando se aperceberem que, por mais que façam o correto, ninguém lhes dará mais um cêntimo por isso, nem a família notará sequer que alguém deve arrumar a porcaria dos outros. Devem ser elfos domésticos, pensam eles quando precisam de cuecas e meias lavadas e elas estão na gaveta!

quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

Mulheres do Futuro


Hoje de manhã, estava eu a preparar o pequeno-almoço, quando reparo nesta cena: Teresa de 9 anos, a ler o Jornal Trevim e não pude deixar de o registar com o telefone. Fico sempre espantada com alguns comportamentos desta filha, que cresce rápido e mesmo tendo meia dúzia de anos a menos que as irmãs mais velhas, parece dar passadas gigantes no seu encalço. Quando elas menos esperarem, a Teté já lhes ganhará no Trivial Pursuit e corrigirá o discurso. Criança perspicaz, sensível e curiosa, uma mistura infalível que a tornará numa adulta completa. Uma mulher que saberá o que quer, que não ficará calada perante os problemas e lutará sempre pelos seus sonhos! Uma Mulher do Futuro!