quarta-feira, 5 de abril de 2017

Amuse Bouche realmente amusing!



Um dia gostava de conseguir compreender a tara dos portugueses pelo pão. Sim, aquele alimento vulgar e ancestral, que todos temos como garantido à mesa, e do qual sentimos falta quando viajamos para o estrangeiro. Já dei por mim a sentir-me ansiosa num restaurante "lá fora" porque não havia cestinha de pão... Como é que alguém normal come comida com molho sem empapar o pãozinho fofo no líquido, para aproveitar até à última gota o saboroso tempero? Já para não falar no amuse bouche português do pão da mealhada com manteiga ou patê de sardinha... mas isso já é muita sofisticação para os primitivos loiros que existem de Espanha para lá! Eles sabem lá servir comida às pessoas... Põem-se a inventar com pratinhos cheios de desenhos artísticos, só para enganar quem ainda tem paladar para sentir o comer. E o pão? Onde está o pão para "lamber" os risquinhos de molho que supostamente encarecem a refeição, pois são de marca registada? Um conselho, levar sempre um papo seco no bolso! 

segunda-feira, 27 de março de 2017

Valter Hugo Mãe, polémica e chá de menta


Sim, é com todo o prazer que vos digo que a 1ª Tertúlia Literária do grupo "Lousã Book Lovers" aconteceu mesmo! Foi no acolhedor espaço da "Taberna Burguesa", mesmo no centro da Vila da Lousã, que ontem, das 20h00 às 22h00, estivemos à conversa sobre o livro "o nosso reino", do autor Valter Hugo Mãe.
O atual escritor foi recentemente envolvido em polémica com alguns encarregados de educação ofendidos pelo "linguajar" inapropriado da obra em questão, que foi indicada pelo Ministério da Educação no Plano Nacional de Leitura para o contexto escolar. Depois de lermos este livro, e de o estranharmos ao início, somos de facto envolvidos num ritmo de leitura que nos obriga a não fazer pausas, e nos transporta para Portugal de 1974, antes e depois de abril. Uma criança ingénua e crente conta a sua realidade espacial e social e ficamos ligeiramente deprimidos com a vivência supersticiosa e dominada pela Igreja que vivíamos nessa época. Não sei se os senhores do Ministério ou os próprios pais que o criticaram leram o livro, pois há realmente um parágrafo ou dois onde são usados termos menos próprios e temas dificilmente acessíveis a crianças pré-adolescentes, mas se não o fizeram, deviam! É uma obra muito bem escrita, diferente, que nos mostra até onde a democracia na escrita pode ser possível, que nos deixa interpretar à nossa vontade os pensamentos daquele menino, e nos permite vivenciar tudo aquilo de uma forma pessoal, exclamamos quando queremos, questionamos sempre que nos parece correto, fazemos parágrafo quando a nossa sensibilidade nos diz que é para respirar. E no que toca às crianças que leram a palavra "foder" e naturalmente ficaram escandalizadas, só podemos concluir que esse contacto com a realidade é um dos processos de crescimento democrático, onde cada consciência pode fechar ou abrir um livro, na sua  própria censura literária. Também nos questionamos sobre isso, ficando a pergunta em aberto: "deveremos censurar à partida o que os nossos filhos lêem?, Ou devemos deixar que escolham em consciência o que tirar da prateleira lá de casa?"
Em abril voltaremos a marcar encontro, para falarmos sobre o livro "O último Catão" de Matilde Asensi. 

quinta-feira, 23 de março de 2017

Café e Bananas


Só quem já partiu uma coisa que lhe era extremamente necessária pode entender o desespero de uma mulher a tentar tirar a chaleira de vidro da máquina de café, arrumada numa prateleira demasiado alta, e vê-la estatelar-se no chão, depois de lhe arrumar um pontapé com o dedo grande do pé, naquela tentativa tão patética de "apanhar o objeto com o pé". Toda a gente sabe que o pé não agarra nada, não tem polegar, mas ainda assim temos este instinto ancestral de quando abríamos bananas com os membros inferiores enquanto coçávamos o cucuruto da cabeça distraídos. Felizmente tinha uma chaleira sobresselente, o que suavizou o mal estar momentâneo de ver milhares de vidros espalhados por toda a cozinha antes das 8h00 da manhã... Noutros tempos daria murros no peito e arrancaria uma mão cheia de cabelos, para soltar a raiva, mas isso era no tempo em que ainda tinha polegares lá em baixo. Hoje, civilizadamente apanhei os cacos e fiz café!

sexta-feira, 17 de março de 2017

Liberdade e Carroceis



É um dado adquirido, sermos livres para pensarmos o que nos apetecer. Conquistámos a nossa independência há algumas décadas, com ela veio uma adaptação à nova condição de seres pensantes que até então era censurada e sufocada. Muita gente entretanto nasceu e já não imagina o que era viver com medo de dar uma opinião contrária à oficial. Isto é tudo muito lindo de se dizer, mas se analisarmos um pouco o que nos rodeia chegamos à conclusão de que ainda somos demasiado censurados, e a maioria por si próprio. Sem passarmos a barreira da falta de educação, ou simplesmente sem magoar o próximo, há ainda uma considerável distância entre o que pensamos de facto e o que dizemos publicamente. Andamos em carroceis giratórios de opiniões aceites pelas massas, que não nos deixam enveredar por outras direções. Sim, é simples e cómodo, tira-nos um peso de cima o facto de deixarmos os outros confortáveis com a nossa posição concordante mas, e depois? Quando um dia quisermos sair do baloiço e já não soubermos andar de outra forma senão à roda? Ficaremos desequilibrados e tontos, cairemos atabalhoadamente como ébrios. Felizmente tenho "mau feitio", ou como eu lhe prefiro chamar "penso pela minha cabeça", o que me dá uma certa dificuldade em manter a socialização ideal, mas me ensinou a andar por onde me apeteça, quando me der na real gana e com quem quiser. Porque é que me apeteceu falar sobre isto? Bem, é preciso ter mesmo um motivo concreto, ou posso ser livre?

quarta-feira, 8 de março de 2017

A Meditação e Eu



A Meditação é uma das formas mais baratas e eficazes para conseguirmos reorganizar emoções, sentimentos, e tentarmos atingir aquele ideal praticamente impossível de simplesmente não se pensar em nada, colocarmos a mente Zen... Sim, a teoria eu já sei, e até já iniciei algumas tentativas práticas, alguns anos no yoga, uma ou outra prática de "mindfulness" em casa, mas sinto-me sempre frustrada e no final basicamente revoltada. Fechar os olhos em silêncio, evitar dar corda aos pensamentos, concentrar-me num som, só me fazem adormecer instantaneamente, o que aconteceu nas aulas de yoga e foi bastante constrangedor. A Professora a chamar o meu nome, todos sentados a olhar a "Bela Adormecida" e eu descansada da vida a ususfruir do soninho! Será que é de facto natural não se pensar em nada e estar acordado? Eu penso que não. Acho que toda a gente finge que está a meditar e passa pelas brasas, ou decide os próximos jantares da semana e depois sorri e diz que está muito relaxada! Também já fingi e quando tentei realmente meditar deu no que deu. Mindfulness não é para mim, tenho muita coisa a dizer, muita matéria não física a percorrer os neurónios e quando tento obrigar a cabeça a ser como a de um peixe, que pode estar estático a dar às barbatanas e a olhar o vidro de um aquário e sabemos que não está a pensar em nada, o corpo reage como foi programado, desliga. 

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

Condução e Solos de Guitarra



Ontem dirigia-me para casa, a meio da tarde, como faço todos os dias da semana. Conduzia normalmente, sem grandes pressas a apreciar a música que surgia no rádio - "November Rain" dos Gun's and Roses. Há que tempos que não ouvia aquilo, e como sempre, fui possuída pelo espírito do Axel Rose e tive de cantar aquele hino dos anos 90, quando se aproxima a altura da música em que os senhores locutores de rádio deviam levar todos uma reguada nas unhas, porque decidem arbitrariamente carregar no botão do "seguinte" no momento em que o Slash está para iniciar o seu famoso solo de guitarra... Fica o nosso falsete perdido no silêncio, e parece que levamos um balde de água fria, porque a música não terminou!! Toda a dinâmica do tema fica perneta sem aquele final! Fiquei revoltada, mas nada a fazer, a não ser mudar de estação por uma questão de princípio! M80, se queres enervar os ouvintes, estás no caminho certo!

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

De sete em sete


Há quem tenha a convicção de que a nossa vida muda de 7 em 7 anos... Eu estive a refletir sobre isso e talvez haja alguma coerência nessa crença. Não que tenha acontecido algo de específico nessas datas, mas grandes mudanças interiores, chamemos-lhe crescimento, maturidade, comprovam a ideologia. Talvez agora nesta nova fase, que iniciou já em 2015, a minha tarefa seja "simplesmente" continuar a desligar-me de certas pessoas e problemas, limpar más energias, varrer convenientemente o salão de visitas e deixar lá apenas o essencial. É que depois de algumas décadas a aprender a viver com pessoas, chegamos a um ponto em que aprendemos isto: a Família é que interessa, é o único grupo de pessoas por quem devemos engolir sapos, é quem merece a nossa dedicação e sacrifícios e só entra na nossa Família de sangue quem nos estava destinado a pertencer também. E se o Destino tem alguma utilidade mística, e queremos crer que sim, é a Família a grande batalha da nossa existência. 
E isto significa o quê? Pergunto-me eu por vezes, tentando perceber o papel dos amigos na nossa vida... Significa que devemos evitar confundir amigos com Família, e gerir sabiamente as duas realidades, para não apanharmos desilusões nem desgostos, porque quem não é Família, mesmo que em algum momento nos pareça "familiar", vai e vem, de sete em sete. Parece um pouco amarga esta conclusão, mas se o pragmatismo já fazia parte de mim desde pequena, parece que agora, na 5ª volta do ciclo da vida, ele se destaca de todas as características.
Vamos lá ver o que os 42 anos me vão trazer... se der para fazer já o pedido, pode ser uma semana de férias sozinha com os meus e alguns livros. Obrigada!

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

O Livro que nos une!


Para os mais novos, os que já cresceram com distrações eletrónicas por toda a parte, é difícil entenderem o que os livros significam para certas pessoas, é natural, sempre tiveram alternativas bem mais "fáceis" do que segurar um objecto que pesa, durante algum tempo seguido.
Lembro-me de ser pequena, talvez a entrar na adolescência, e me aborrecer com os dois canais disponíveis na televisão e olhar para a estante de livros da sala resignada... "pronto, lá vai ter de ser... vamos lá ver o que por aqui se arranja...", e lá ia eu na busca do título e capa que me parecessem apelativos ou possíveis leituras para a minha idade. Li muito, muita coisa diferente, ri, chorei, sonhei e nunca parei até ter a primeira filha. Mais tarde, quando tornei a ter tempo e disponibilidade mental, recomecei a leitura e assim tem sido até hoje. Com um bebé praticamente com nove meses, já consigo isolar-me nos meus pensamentos à noite, e dedico-me a ler o que for aparecendo. Policiais, romances, tudo serve para distrair, gosto de todos os géneros, desde que escritos com sabedoria. 
Recentemente surgiu a ideia de criar um grupo de leitores na Lousã que se unissem no objetivo de ler um livro em comum e depois, numa data a definir, se juntassem e conversassem sobre a obra. Uma forma social de ler um livro, as chamadas "tertúlias literárias", que me parece uma boa alternativa às formas comuns de socializar em grupo. Criando regras para os temas e discussões, limitam-se as liberdades do Ego e reaprendemos uma nova forma de estar. Será que vamos conseguir pôr isto em prática? Espero que sim!

terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

Filhos VS Internet



Há muita discussão e opiniões divergentes na questão: "devemos publicar/partilhar fotos dos nossos filhos nas redes sociais"? Sinceramente, parece-me que esta é uma questão pessoal, cada um tem uma forma diferente de encarar a exposição pública de si e dos seus. Na minha opinião, acho ridículos os extremismos de se achar que se colocarmos a foto de um filho pequeno no Facebook, este poderá ser raptado, ou a sua imagem utilizada por pedófilos nos seus crimes... Para mim, só uma mente igualmente doente poderá imaginar semelhantes coisas. Doente, egocêntrica e ligeiramente psicótica! Um famoso, alguém que seja assediado por fãs ou que tenha a sua privacidade constantemente invadida, tudo bem, é lógico que evite ainda mais exposição, mas nós, os comuns cidadãos, os que temos como "amigos" no FB pessoas que de facto conhecemos e que nos conhecem fisicamente, porque havemos de andar a esconder a cara de um bebé? Os nossos filhos não andam diariamente com sacos na cabeça para proteger as suas preciosas imagens físicas, ou andam? Se deambularmos pelo FB tipo parasitas, sem publicar nada ou dar o ar da nossa graça, só a espiolhar os outros, sem nos denunciarmos ou comprometermos com imagens, gostos ou opiniões, não percebemos o objetivo de "Rede Social". E se é para isso, então mais vale não fazer parte.O meu conselho é, bom senso.Tenho menos de trezentas "amizades" que têm acesso ao que decido partilhar sobre mim e os meus, e gosto de o fazer. Vejo apenas o lado positivo das redes sociais, porque para desgraças, já basta a economia do País!

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

Ensaio sobre a Amizade



(Ainda a respeito do Dia da Amizade:)


Amigos são como as estações do ano, vão passando na nossa vida de forma cíclica, umas vezes trazem calor, vento, tempestades, mas nunca deixam de estar presentes, de uma forma ou de outra. Também eu tenho sido invariavelmente chuva, sol, ventania, umas vezes conscientemente, outras nem tanto. Uma coisa estes quase 37 anos me têm mostrado: somos todos falíveis, nenhum de nós é sempre correto, ou mau. Tem dias! Tem horas e momentos. E se a vida nos vai afastando de algumas pessoas, porque tomamos sentidos diferentes, ou nos aborrecemos com elas, outras aparecem e começa tudo de novo. Como uma relação amorosa, primeiro o entusiasmo pela "novidade", depois a paixão e a ilusão de que aquela pessoa é perfeita, depois a desilusão e a fase do choro, acabando na separação. Felizmente, há algumas "paixões" que nunca desaparecem, algumas andam apenas mornas uns tempos, mas as qualidades que nos conquistaram ao início, voltam a ser mais importantes que os defeitos que possam existir, e esses amores ficam para sempre. Adormecidos no nosso coração, prontos a atacar! Um dia basta um sorriso, uma palavra simpática e todas as desilusões são varridas para debaixo do tapete e lá vamos nós outra vez! E quem não consegue fazer isto, é porque não é imperfeito também, e como dizia Álvaro de Campos: "Arre, estou farto de semideuses! Onde há gente no mundo?" Esses não os varro para debaixo do tapete, deito-os diretamente na retrete.
(Em casos muito extremos, não chego sequer a pegar na vassoura, que ainda requer algum esforço na coluna, e vai de aspirador para cima. Mas é preciso muito, bastante, e contam-se pelos dedos de uma só mão. Felizmente ainda tenho outra.)