segunda-feira, 28 de março de 2011

D. Rosa!

Recentemente tenho me apercebido de que as crianças, mesmo já na primária, apresentam um padrão de comportamento agressivo que ultrapassa todas as barreiras do aceitável! Se antigamente a violência física, nomeadamente entre alunos, era recorrente nos recreios e até socialmente aceite, hoje, os nossos valores anti-contacto físico, transportam os miúdos para um conceito de agressão ainda mais nocivo. Se a violência é uma forma de expressão mal resolvida, que temos de ensinar as crianças a ultrapassar, então como conseguir fazê-lo se a maneira como ela se apresenta é quase transparente e invisível? Muitas vezes, só nos damos conta que um filho nosso ou criança conhecida é alvo de agressões, quando chora pelos cantos e já não consegue esconder o sofrimento. Se um olho negro ou roupa rasgada é denunciadora e prova de que algo está mal, um ataque verbal, psicológico recorrente leva muito tempo a ser desmascarado, ou nunca se descobre. Na passagem da idade pré-escolar, para o ensino básico, as crianças são bombardeadas com uma realidade verbal que não entendem, que memorizam e repetem, sem noção da gravidade do que dizem. A naturalidade com que passam a utilizar esse vocabulário, pelo menos nos recreios, é assustadora e banaliza a falta de educação. Temos de repensar muito bem aquilo que andamos a ensinar às crianças, que comportamentos queremos que eles imitem, que limites lhes damos e até onde podemos aceitar que se insultem gratuitamente no meio escolar.

Este cenário faz-me sentir saudades da Dona Rosa, a minha Professora Primária, que simbolizava a disciplina, com a sua bata branca e olhar forte. Quantas reguadas não levavam hoje em dia meninos da mamã, filhos de gente chique, que antigamente costumavam ser a fina prata das salas de aula!! Coisa impensável nos anos 80, bater no filho do Sr Dr., porque ele disse um palavrão a um colega ou mandou a senhora auxiliar para um certo sítio! No meu tempo as reguadas estavam destinadas a rufias, a rapazes repetentes que nos puxavam os cabelos, nunca a meninas de sabrina!

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