quinta-feira, 27 de maio de 2010

Maternidade


Há poucas coisas na vida que nos ficam na memória como uma grande emoção, uma mãe nunca esquece os momentos que vive no nascimento de um filho, lembra-os até com carinho e saudade! Quando os filhos fazem uma graça, dizem uma palavra cara, tiram boas notas na escola, vivemos tudo com uma intensidade redobrada. Vivemos num dilema constante de amor, austeridade, protecção, crueldade, num turbilhão de sentimentos por causa de pessoas tão pequeninas... Somos dominados por esta criatura frágil e dependente, nunca mais somos um EU independente, e não queremos ser. Deixamos de ser "Filipa" para ser mãe de.... Vemos fotografias antigas, muitas vezes sem reconhecer a jovem descontraída e livre que lá está! Serei eu? Não, eu já não me recordo de estar assim, deitada num banco de jardim, fumar um cigarro, fotografar árvores e plantas.... Nunca poderia ali estar sem ter os sensores em alta, a visão periférica que observa todos os filhos ao mesmo tempo, de lancheira cheia e provisionada, pensos rápidos na carteira para o caso de alguém esmurrar os joelhos.... Lá vai o tempo do porta-moedas no bolso e a máquina fotográfica ao pescoço!

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