segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

Ensaio sobre a Amizade



(Ainda a respeito do Dia da Amizade:)


Amigos são como as estações do ano, vão passando na nossa vida de forma cíclica, umas vezes trazem calor, vento, tempestades, mas nunca deixam de estar presentes, de uma forma ou de outra. Também eu tenho sido invariavelmente chuva, sol, ventania, umas vezes conscientemente, outras nem tanto. Uma coisa estes quase 37 anos me têm mostrado: somos todos falíveis, nenhum de nós é sempre correto, ou mau. Tem dias! Tem horas e momentos. E se a vida nos vai afastando de algumas pessoas, porque tomamos sentidos diferentes, ou nos aborrecemos com elas, outras aparecem e começa tudo de novo. Como uma relação amorosa, primeiro o entusiasmo pela "novidade", depois a paixão e a ilusão de que aquela pessoa é perfeita, depois a desilusão e a fase do choro, acabando na separação. Felizmente, há algumas "paixões" que nunca desaparecem, algumas andam apenas mornas uns tempos, mas as qualidades que nos conquistaram ao início, voltam a ser mais importantes que os defeitos que possam existir, e esses amores ficam para sempre. Adormecidos no nosso coração, prontos a atacar! Um dia basta um sorriso, uma palavra simpática e todas as desilusões são varridas para debaixo do tapete e lá vamos nós outra vez! E quem não consegue fazer isto, é porque não é imperfeito também, e como dizia Álvaro de Campos: "Arre, estou farto de semideuses! Onde há gente no mundo?" Esses não os varro para debaixo do tapete, deito-os diretamente na retrete.
(Em casos muito extremos, não chego sequer a pegar na vassoura, que ainda requer algum esforço na coluna, e vai de aspirador para cima. Mas é preciso muito, bastante, e contam-se pelos dedos de uma só mão. Felizmente ainda tenho outra.)

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