sexta-feira, 17 de março de 2017

Liberdade e Carroceis



É um dado adquirido, sermos livres para pensarmos o que nos apetecer. Conquistámos a nossa independência há algumas décadas, com ela veio uma adaptação à nova condição de seres pensantes que até então era censurada e sufocada. Muita gente entretanto nasceu e já não imagina o que era viver com medo de dar uma opinião contrária à oficial. Isto é tudo muito lindo de se dizer, mas se analisarmos um pouco o que nos rodeia chegamos à conclusão de que ainda somos demasiado censurados, e a maioria por si próprio. Sem passarmos a barreira da falta de educação, ou simplesmente sem magoar o próximo, há ainda uma considerável distância entre o que pensamos de facto e o que dizemos publicamente. Andamos em carroceis giratórios de opiniões aceites pelas massas, que não nos deixam enveredar por outras direções. Sim, é simples e cómodo, tira-nos um peso de cima o facto de deixarmos os outros confortáveis com a nossa posição concordante mas, e depois? Quando um dia quisermos sair do baloiço e já não soubermos andar de outra forma senão à roda? Ficaremos desequilibrados e tontos, cairemos atabalhoadamente como ébrios. Felizmente tenho "mau feitio", ou como eu lhe prefiro chamar "penso pela minha cabeça", o que me dá uma certa dificuldade em manter a socialização ideal, mas me ensinou a andar por onde me apeteça, quando me der na real gana e com quem quiser. Porque é que me apeteceu falar sobre isto? Bem, é preciso ter mesmo um motivo concreto, ou posso ser livre?

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