segunda-feira, 27 de março de 2017

Valter Hugo Mãe, polémica e chá de menta


Sim, é com todo o prazer que vos digo que a 1ª Tertúlia Literária do grupo "Lousã Book Lovers" aconteceu mesmo! Foi no acolhedor espaço da "Taberna Burguesa", mesmo no centro da Vila da Lousã, que ontem, das 20h00 às 22h00, estivemos à conversa sobre o livro "o nosso reino", do autor Valter Hugo Mãe.
O atual escritor foi recentemente envolvido em polémica com alguns encarregados de educação ofendidos pelo "linguajar" inapropriado da obra em questão, que foi indicada pelo Ministério da Educação no Plano Nacional de Leitura para o contexto escolar. Depois de lermos este livro, e de o estranharmos ao início, somos de facto envolvidos num ritmo de leitura que nos obriga a não fazer pausas, e nos transporta para Portugal de 1974, antes e depois de abril. Uma criança ingénua e crente conta a sua realidade espacial e social e ficamos ligeiramente deprimidos com a vivência supersticiosa e dominada pela Igreja que vivíamos nessa época. Não sei se os senhores do Ministério ou os próprios pais que o criticaram leram o livro, pois há realmente um parágrafo ou dois onde são usados termos menos próprios e temas dificilmente acessíveis a crianças pré-adolescentes, mas se não o fizeram, deviam! É uma obra muito bem escrita, diferente, que nos mostra até onde a democracia na escrita pode ser possível, que nos deixa interpretar à nossa vontade os pensamentos daquele menino, e nos permite vivenciar tudo aquilo de uma forma pessoal, exclamamos quando queremos, questionamos sempre que nos parece correto, fazemos parágrafo quando a nossa sensibilidade nos diz que é para respirar. E no que toca às crianças que leram a palavra "foder" e naturalmente ficaram escandalizadas, só podemos concluir que esse contacto com a realidade é um dos processos de crescimento democrático, onde cada consciência pode fechar ou abrir um livro, na sua  própria censura literária. Também nos questionamos sobre isso, ficando a pergunta em aberto: "deveremos censurar à partida o que os nossos filhos lêem?, Ou devemos deixar que escolham em consciência o que tirar da prateleira lá de casa?"
Em abril voltaremos a marcar encontro, para falarmos sobre o livro "O último Catão" de Matilde Asensi. 

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