3ª Tertúlia "Lousã Book Lovers"


Nunca tinha lido a obra "Meu Pé de Laranja Lima". Como a maioria de nós, já ouvira falar, mas felizmente ainda não tinha visto o filme brasileiro. (Se há coisa que estraga a leitura é já sabermos a história.) Pessoalmente adorei o livro, muito simples, despretensioso, honesto e essencialmente humano, tanto no melhor e pior que isso possa significar. Uma leitura em "brasileiro", totalmente lida com sotaque, e também por isso mesmo, mais emocional. (várias lágrimas...) Quem resiste a uma criança de cinco anos, traquina, que no meio de uma pobreza que não conseguimos imaginar, consegue inventar amigos, cenários de brincadeira, e ainda ter espaço para a "ternura"? Queremos consolá-lo, dar-lhe um presente no Natal, comprar-lhe uns sapatos, uma roupa de poeta, e protegê-lo dos dramas familiares que se vivem numa casa com necessidades financeiras, emocionais e abandonada ao desespero. Um português representa o herói na história, e também isso nos toca, e nos deixa ligeiramente felizes e orgulhosos enquanto povo. Essencialmente somos transportados para uma dimensão quente, poeirenta, de gente esfomeada e triste, onde vive um menino chamado Zezé, e o nosso coração aperta.
José Mauro de Vasconcelos colocou na sua escrita muita da sua vivência pessoal, experiências de infância, e construiu uma obra magnífica, chamando a atenção para a pior das pobrezas, a falta de ternura. Conseguimos todos crescer com relativamente pouco comer, a maioria da população do planeta não começa o dia com cereais coloridos e doces, mas não crescemos saudáveis sem amor. Amar faz falta, a ternura nas famílias faz falta, mesmo quando tudo parece não ter solução, sem ternura fica com certeza mais difícil. 


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